domingo, julho 20, 2003

ACADEMIA DE POLICIAS

A PSP está empenhada em desfazer a velha imagem da polícia e para tal aposta numa imagem jovem, com algum porte atlético e bastante inteligência. È esta a imagem deixada pelo Comissário José Alves que acumula os cargos de relações públicas e assessoria de imprensa dentro desta instituição.
José Alves afirma que «os agentes têm muito mais formação hoje em dia» e após a escolaridade obrigatória que para eles é o 11º ano, têm a possibilidade de frequentar um curso superior de cinco anos, no Instituto Superior de Ciências Policiais em Lisboa, «a escola superior com o maior queficiente de dificuldade de entrada».
Quando lhe cabe a função de oficial de dia, tem o dever de controlar todas as esquadras da área metropolitana do Porto, cerca de 30 esquadras, o que equivale a cerca de 3300 agentes, trabalhando vinte e quatro horas por dia. Cabe-lhe também a função de, através de um quadro de ocorrências, dar informações às esquadras e à comunicação social, apesar de, neste caso, ter algumas restrições porque «há coisas não reveláveis para proteger o bom nome do cidadão e não prejudicar a investigação».
Nos gráficos existentes na PSP ocorreram em média 2,3 assaltos por dia com arma no ano passado. Verificou-se também uma diminuição de 1999 para 2000 de 17% nos assaltos por esticão, assim como 9% nos furtos em viaturas. «A polícia consegue recuperar em 2000, 50% dos carros roubados. Por outro lado, o furto de interiores de viaturas e das próprias viaturas aumentou bastante no ano 2000 o que «está ligado ao uso de estupefacientes, de qualquer forma, o total das detenções no ano 2000 foram 3951, foram muitas, só na cidade do Porto».
Em relação aos meios disponíveis para desempenharem as suas funções, não apresentam nenhuma razão de queixa, tirando alguns meios informatizados nos carros já existentes nos Estados Unidos, 183 viaturas caracterizadas e 48 descaracterizadas são consideradas suficientes no combate ao crime. No entanto, salientou que «trabalhamos num corredor muito estreito que é a legalidade, enquanto o adversário trabalha num corredor muito largo». Por vezes a polícia sente-se de mãos atadas porque do ponto de vista da legislação em vigor têm vindo a ficar menos punidas as condutas de foro criminal dos cidadãos em geral. Mesmo assim, ainda existe uma ideia errada em relação às actuações da polícia, mas «a polícia não bate em ninguém».
O comissário José Alves nunca sentiu medo em situações de confronto físico, «tenho algumas cautelas, que é diferente. Não tenho medo de nada, nem de ninguém». Mesmo quando têm de entrar em bairros sociais perigosos como o S. João de Deus, Cerco, Largarteiro, Aldoar e Aleixo, por exemplo, as novas torres aqui existentes «dificultam a acção policial no combate ao tráfico de estupefacientes» uma vez que as subidas são bloqueadas, nomeadamente nos elevadores deitam a luz a baixo e as caixas de escadas têm grades de ferro, o que impossibilita a subida das forças policiais.
Apesar de todas as dificuldades aparentemente existentes nas forças policiais, José Alves tenta mostrar a visível melhoria e qualidade verificadas na policia, tentando assim, de certa forma, limpar algumas das falhas, muito vistas, em actuações em prol da harmonia social.



Susana Ribeiro
30/03/01